Fonte Renault Portugal.

Entrevista a Carlos Sousa… Onde se fala de André Villas-Boas, mas também dos treinadores dos três ‘grandes’, de Sara Sampaio e de sexo no Dakar!

É de opinião que o André Villas-Boas não é, necessariamente, melhor treinador do que piloto e gostava de ver o José Mourinho, o Jorge Jesus, o Rui Vitória e o Sérgio Conceição de pá na mão em pleno deserto. Acha que o atual treinador do Sporting leva vantagem no ‘Portunhol’ e que a Sara Sampaio seria uma navegadora perfeita para o acompanhar. Está convencido que o Carlos Sainz vai vencer o Dakar, devido a ordens de equipa. Apesar de não ser parecido com… a sua sogra, acredita que o Duster tem potencial para vencer o Dakar no futuro. Por fim, acha que sexo não é uma missão impossível num Dakar. Uma entrevista improvável e imperdível a Carlos Sousa nas linhas que se seguem, quando estamos a meio do Dakar e o piloto do Duster é o 25º classificado.


1. O André Villas-Boas é melhor treinador do que piloto?
O André só teve o azar de se estrear com um Dakar com este figurino. Não há amador que resista a um Dakar como o deste ano.

2. Também gostavas de ver no Dakar o José Mourinho, o Jorge Jesus, o Rui Vitória, o Sérgio Conceição e outros mais?
Ia ser um ‘prato’. Ia adorar vê-los com a pá na mão no meio do deserto. E para a prova ia ser fantástico, pois ia ser ainda mais mediática.

3. Algum dia podias seguir o exemplo do Ruben Faria e ser navegador de algum deles?
Completamente impossível! Sou a pessoa mais medrosa a andar ao lado.

4. Quem é que fala melhor ‘Portunhol’? Tu ou o Jorge Jesus?
Empate técnico… Eu acho que ele fala melhor ‘Portunhol’ e eu espanhol.

5. Até ao momento, qual foi para ti a maior surpresa deste Dakar?
A dureza, a dificuldade e o perigo das etapas iniciais.

6. E a maior desilusão?
Ainda não tive.

7. E a maior dificuldade?
As dunas do Peru. Recordo-me perfeitamente de, em 2012 ou 2013, ter passado em ligação e de ter visto um cartaz a dizer que o Dakar tinha medo das dunas do Peru.  Isso ficou na minha memória. A organização deve ter achado uma afronta e decidiu incluía-las no percurso deste ano. As dificuldades foram sempre em crescendo e a etapa 5 o expoente máximo disso mesmo.

8. Qual foi o momento que mais te tocou neste Dakar?
A entrada em La Paz, com um calor humano incrível, bem como uma cerimónia de pódio impressionante. Mas a dureza dos primeiros dias também me marcou bastante.

9. Tens um fã na tua página no Facebook que diz que o Duster parece a sogra dele: “dura, persistente e surpreendente!” A tua é igual?
Não, não é (risos)!

10. O Duster é um bom companheiro de aventuras?
Sem dúvida, até por ter ainda muito potencial pela frente. Com um bom programa de desenvolvimento e de testes, e com o envolvimento da ‘casa mãe’, não tenho dúvidas que o Duster pode ser um futuro candidato à vitória do Dakar.

11. Face à dureza da edição deste ano, tens saudades do Dakar em África?  
Não, não tenho. O Dakar tem de ser duro, mas em África ainda é mais duro e, sobretudo, mais perigoso. A América Latina é perfeita para o Dakar, pelos percursos, pelo público e por facilitar, em muito, toda a logística que lhe está associada.

12. As dunas do Peru são…
Traiçoeiras e mais umas expressões que não me atrevo a dizer.

13. Durante a quinta etapa, a organização comunicou que, num ‘atascanço’, tiveste a companhia, entre outros, do Sébastien Loeb, Cyril Despres e Giniel de Villiers. O que é que falaram nesse momento?
Não é verdade isso. Na zona onde eles estavam atolados eu até passei com alguma facilidade. Eu tive foi problemas de transmissão mais à frente, onde o Kamaz também tombou.

14. O calor e o deserto do Peru, ou o frio e a altitude da Bolívia?
Prefiro o calor e o deserto, ainda que num ‘prato’ menos quente. Confesso que me dou mal com a altitude, devido às dores de cabeça que me provoca.

15. Quem é que vai ganhar o Dakar?
Se houver ordens de equipa, o Sainz, pois não interessa a ninguém que ganhe sempre o mesmo. Se isso não se confirmar – o que eu não acredito – sem dúvida o Peterhansel.

16. Uma mensagem para os outros portugueses que aceitaram o desafio deste Dakar? 
Boa sorte para os que ainda estão em prova. Para os que já regressaram a casa ou que nem sequer conseguiram fazer a viagem, que tentem novamente a sua sorte para o ano.

17. Quantas vezes costumas parar para dar aquela escapadela atrás do fesh-fesh ou duna?
Nenhuma mesmo. Só se furar é que aproveito a oportunidade, pois eu não gosto de parar durante as etapas.

18. Já discutiste com o Pascal Maimon (navegador)?
(Risos) Não. Como o Pascal ferve em pouca água, se calhar sou eu que estou mais calmo…

19. Nas ligações, quais são os vossos temas de conversa?
Falamos muito do que correu bem e mal. A seguir eu ouço a minha música e o Pascal dorme (risos).

20. Já tiveste tantos navegadores, mas nunca participaste com uma navegadora… Porquê?
Já pensei nisso, mas só em conversas de café. Mas como não sei o que lhe ia dizer quando nos perdêssemos… (risos)

21. A Sara Sampaio dava uma excelente navegadora?
Sem dúvida, não me importava nada. Ia ser um excelente passeio…

22. Quantos palavrões dizes por hora?
Não são assim tantos. Só mais naquelas situações em que quase perdemos o controlo ou quando damos uma pancada mais forte.

23. O que é que seria uma refeição perfeita para o dia de hoje?
Um bacalhau cozido com todos ia muito bem, especialmente ao almoço.

24. Tens-te lamentado da ‘curta’ velocidade de ponta do Duster…. Quanto é que gostavas que atingisse?
Bastante mais! Só precisava de uma relação de caixa de velocidades mais ‘longa’.

25. Tens saudades dos motores a diesel?
Nada mesmo. Estou muitíssimo satisfeito com o motor do Duster.

26. Tens fãs no teu Facebook a dizerem que querem ir esperar-te ao aeroporto. O que lhes queres dizer?
Adorava ir para dar um abraço a todos. Mas quando o Dakar terminar não vou para Portugal. Contudo, as mensagens de apoio que tenho recebido e os comentários de incentivo no meu Facebook têm-me sensibilizado bastante. Nem sei como agradecer…

27. Porque é que chegaste a pensar em desistir no quinto dia de prova?
Não considerem presunção, mas depois de tantas participações e de tão bons resultados, para mim já não é tão importante chegar ao fim do Dakar. As hipóteses de conquistar um bom resultado terminaram. Mas com tanta a gente a pedir para não desistir, obviamente que não ia ficar pelo caminho. Agora, é tentar fazer uns brilharetes quando as condições nos forem mais favoráveis.

28. Consegues prever os teus primeiros pensamentos para quando terminares o Dakar?
Ir comemorar com a minha filhota o seu aniversário, assim como os de outras pessoas que me são próximas e que também estão de parabéns nesta altura do ano.

29. Qual foi o acontecimento até agora mais bizarro que presenciaste neste Dakar?
Um grupo de rapazes e de raparigas que se despiram à nossa passagem… A repetição de um episódio vivido numa antiga Baja Portugal.

30. Quando chegas ao final de cada etapa, a quem é que ligas primeiro?
Ao Marco Barbosa, para ele ter informações para escrever o comunicado de imprensa. Mas também costumo falar com o meu filho. Não posso falar com muito mais gente, pois tenho de aproveitar o pouco tempo que tenho para comer, preparar a etapa seguinte e descansar.

31. Tens algum tipo de superstições quando acordas ou quando entras no carro?
Não, não tenho.

32. Quantas horas dormes, em média, por dia?
Gosto de dormir pelo menos seis ou sete horas, mas houve duas noites no Peru em que só dormi cerca de três horas.

33. O que é que bebes e comes durante as etapas?
Água e umas barras energéticas.

34. Com tantas horas ao volante, não ficas com bolhas nas mãos (mesmo de luvas)?
Não, mas já fiquei no passado. Hoje, os carros têm direções muito melhores. Mas tenho uns calos, por causa da força que faço na pega do volante.

35. Como já não vais para novo, qual é a parte do teu corpo que mais se tem ressentido fisicamente?
O pescoço por causa dos saltos e do peso do capacete, mas também a moral. No entanto, admito que tenho mazelas pelo corpo todo… (risos)

36. Costumas comer nos ‘bivouacs’ ou nos restaurantes locais?
Muitas vezes nos ‘bivouacs’, onde já se consegue comer muito bem. Mas sempre que tenho a oportunidade, gosto de ir a um restaurante local.

37. Porque é que dormes em hotéis e não numa tenda nos ‘bivouacs’?
Tenda não, definitivamente. No entanto, considero que uma ‘motorhome’ é, hoje, a melhor solução para dormir no Dakar.

38. Os teus filhos vão, um dia, seguir as tuas pisadas no Dakar?
Felizmente não, acho, mas a minha filha ainda é nova. Se um dia isso acontecer, eu vou ficar preocupado, aflito e nervoso. Nem quero pensar nessa possibilidade.

39. Relações Sexuais durante o Dakar? É… missão impossível?
Não, não é. Há sempre energia para mais qualquer coisa… (risos)

40. Já estás a pensar na edição 2019 do Dakar?
Não! Para já quero terminar a deste ano.

Fonte Renault Portugal.