A região de Portalegre, na região do Alto Alentejo em Portugal, recebeu no último fim de semana de Outubro a 31ª Edição da Baja de Portalegre, celebrando os 30 anos de existência desta prova.  A Baja de Portalegre foi a última prova da Taça do Mundo FIA de Ralis de Todo o Terreno e dos variados campeonatos Portugueses desde os automóveis, passando pelas motos, quads e pelos SSV - a categoria sensação dos nossos tempos.

As infindáveis listas de inscritos
Esta competição mantém o seu estatuto de prova rainha do todo o terreno em Portugal, apresentando uma lista de inscritos incomparável em quase todas as categorias presentes. No momento em que as inscrições fecharam, a organização contabilizava 450 equipas inscritas, um número impressionante e o mais vasto de qualquer prova do género realizado não só em Portugal como também na Europa, onde apenas a Baja Aragón se consegue aproximar.    No que aos automóveis diz respeito, notava-se a ausência dos principais animadores da temporada, não só porque o campeonato já tinha sido decidido a favor de Nasser Al-Attiyah no recém-disputado Rali de Marrocos, mas sobretudo porque a maior parte das equipas internacionais já está focada nos grandes ralis de inverno, quer seja o Rali Africa Eco Race, quer seja o Rali Dakar.  No entanto, várias formações estrangeiras compareceram, incluindo a X-Raid com 2 Mini conduzidos pelo Brasileiro Guilherme Spinelli e pelo Chileno Boris Garafulic. Também a South Racing, baseada em Portugal, inscreveu vários pilotos incluindo Ricardo Porém, o Português que se apresentava para lutar pelo titulo.  Boris Gadasin também marcou presença, trazendo consigo mais 2 pilotos - Andrey Novikov e Andrey Rudskoy, para conduzirem os invulgares mas  muito rápidos Protos G-Force.  A lista incluia ainda bastantes equipas privadas estrangeiras com destaque para o Porsche da LP-Racing conduzido por Pal Lonyai, viatura essa que cativou uma vez mais muitas atenções.
O grosso da caravana automóvel estava no entanto do lado dos Portugueses. Ninguém gosta de faltar a esta prova, sendo que para muitas equipas esta é mesmo a única prova em que participam ao longo do ano.   Entre os Portugueses, e muitos deles com ambições também na geral do evento FIA estavam entre muitos outros Ricardo Porém (Ford Ranger), João Ramos (Toyota Hilux), Alejandro Martins (Toyota Hilux), Alexandre Franco (BMW Proto), Nuno Matos (Opel Mokka), Helder Oliveira (Mini Paceman) e Miguel Barbosa (Mitsubishi ASX).
A quase interminável lista de inscritos nos automóveis continha 105 nomes, 57 dos quais inscritos no Evento FIA, e os restantes 48 no evento nacional.

Nas motos e quads as muitas inscrições repartiam-se entre os que faziam a prova principal, e as várias categorias "Hobby" que faziam um troço mais curto.  No que às motos diz respeito, na corrida principal inscreveram-se 85 pilotos, com especial destaque para os eternos candidatos á vitória António Maio e Mário Patrão, aos quais se juntavam Luís Oliveira que procurava a terceira vitória consecutiva nesta corrida e Sebastian Buhler - um jovem piloto em franca ascensão.  Para aumentar o interesse, decidia-se em Portalegre o titulo de campeão Nacional, entre dois dos pilotos que mencionámos atrás:  o muito experiente António Maio e  o rapidissimo Sebastien Buhler.

Nos quads, já com o titulo de campeão nacional entregue a Arnaldo Martins o principal motivo de interesse era mesmo ver se algum dos presentes conseguiria fazer frente a Roberto Borrego, o principal  favorito de entre os 41 participantes.

Finalmente os SSV - Side-by-Side Vehicle. Estiveram presentes 95 equipas. Sim leu bem - 95 equipas. A categoria de SSV tem crescido um pouco por todos os países, mas Portugal tem vivido uma verdadeira explosão destas máquinas juntando aos pilotos consagrados muitos outros que aproveitam a categoria para entrar no mundo do todo o terreno ou então, trazendo de regresso ás pistas muitos pilotos até dos automóveis que estavam parados e que voltam assim á competição. Nesta lista, completamente dominada por Portuguese sobressai um nome estrangeiro: Stephane Peterhansel.  O Francês já em 2016 tinha estado na Baja Portalegre, e regressou este ano com verdadeiras ambições.



Verificações: Um olha atento sobre as máquinas.
Todas as corridas começam com as verificações técnicas e administrativas, e a Baja de Portalegre não é excepção.  Esta é aliás uma das grandes operações da corrida, pois nesta edição foi necessário fazer passar 4 centenas e meia de equipas por este procedimento em menos de um dia.
Esta demorada mas necessária operação teve lugar junto ao HQ da corrida, localizado no complexo NERPOR, ocupando a  manhã e a tarde de quinta feira  com as viaturas a seguirem para o parque fechado depois de tudo verificado OK para darem inicio á sua participação na prova.

Cerimónia de partida: A apresentação á família!

Desde o ano passado que a organização decidiu realizar uma partida simbólica no centro da cidade de Portalegre, partida essa à qual devem comparecer todas as equipas, levando assim os participantes até à cidade e junto do público para um momento simbólico mas importante.
Foram mais de 400 os pilotos  que estiveram na Cerimónia de Partida desta edição histórica da Baja Portalegre 500, onde se comemorou o trigésimo aniversário do evento organizado do ACP Motorsport.
O Jardim do Tarro, no centro de Portalegre,  foi o local escolhido para esta cerimónica, reunindo milhares de fãs do todo o terreno para poderem assistir á apresentação dos homens e máquinas que participaram na 31.ª Edição da Baja Portalegre 500. 


Pal Lonyai com o seu LPR Porsche Macan, uma das máquinas que mais atenções recolheu durante o fim de semana

Um problema pairou sobre a corrida: o pó!
A Baja de Portalegre de 2017 ficou marcada pelas condições climatéricas invulgares para a época do ano.  Portugal tem vivido um período de seca muito longo, batendo recordes máximos de temperatura, com ondas de calor sucessivas e registado níveis de chuva tão baixos  que mais parece um deserto.  Muitas das zonas da prova conhecidas por serem lamacentas ou com travessias de água e que são a imagem da marca desta corrida estavam completamente secas,  com o piso particularmente duro e agressivo.  Mas todos os obstáculos parecem facilmente ultrapassáveis quando comparados com o pó.  As pistas secas ditavam que cada concorrente que passava levantava uma densa nuvem de pó que muitas vezes teimava em permanecer até á chegada do piloto seguinte, cuja passagem complicava ainda mais as condições de visibilidade.   
O pó terá sido determinante do que diz respeito á classificação final em muitos dos casos, e foi mesmo o motivo de severas criticas á organização, que apesar de tudo nada podia fazer pois o tempo de que dispunha para fazer tantos concorrentes não permitia esperar que o pó se dissipasse.
Confrontados com tais condições, cabia às equipas a dura tarefa de tentarem serem rápidos sem colocar em risco o seu resultado com uma saída de estrada, algo que infelizmente muitos não foram capazes, sucumbindo nas ratoeiras da dura e exigente pista, com os problemas a começarem logo no prólogo.




SS1 - Start your engines!
A Baja de Portalegre 2017 teve o seu primeiro momento de competição tal como todos os outros anos, com a realização do prólogo no local já conhecido, porém, a organização decidiu modificar o trajecto em relação ás edições anteriores, inovando na medida do que é possível.
Mas só foi preciso arrancar o primeiro concorrente para perceber que o maior adversário iria mesmo ser o pó.  Mesmo com uma distância mais curta para percorrer, a nuvem de pó condicionou bastante o andamento de muitas equipas. 
Os primeiros a terem a enfrentar a pista foram os pilotos das motos, com os 4 principais "suspeitos" a serem os 4 primeiros da lista liderados por António Maio, seguido de perto por Luis Oliveira (2º), Sebastian Buhler (3º) e Mário Patrão em 4º.

Nos Quad, Roberto Borrego rapidamente demonstrava a razão do seu favoritismo, impondo-se nos 3,5kms do prólogo como o mais rápido, deixando o segundo classificado - Fernando Cardoso, a mais de 14 segundos.


"Beto" Borrego no prólogo, onde assumiu a liderança para nunca mais a largar

Quanto aos SSV, e apenas para contextualizar os resultados, devemos dizer que entre o 1º e o 94º apenas existe apenas um 1m21s de distância, e que apenas o azarado Pedro Santinho Mendes se atrasou mais do que isto.  É verdade que a distância para ser percorrida éra muito curta, mas de qualquer forma isto demonstra na perfeição o nivel médio de uma categoria que vive num ritmo muito mais acelerado do que as demais.  João Dias em Polaris RZR Turbo foi o mais rápido, seguido de perto por Sérgio Silva em viatura semelhante e por Lourenço Rosa em Can-Am Maverick X3.   Nesta altura, Peterhansel era o 6º mais rápido, sendo o primeiro piloto com um SSV Yamaha, tendo atrás de si o primeiro Espanhol Roberto Viñaras também com um Yamaha.

No automóveis os Portugueses ditavam o andamento. João Ramos, um dos candidatos ao titulo era o mais rápido, percorrendo o prólogo de uma forma muito eficaz e ao mesmo tempo espetacular com a sua Toyota Hilux. Ricardo Porém, também a lutar pelo título de campeão, terminava em segundo com a Ford Ranger preparada pela equipa South Racing.  O pódio provisório era completado por Alejandro Martins, também ele com uma Hilux produzida pela equipa Overdrive.

João Ramos começou a Baja de Portalegre com o pé direito, vencendo o prólogo.

SS2 - Senhores e senhoras: Agora é mesmo a sério!
Depois do aperitivo servido pela manhã em Portalegre, a verdadeira prova iria começar ao inicio da tarde nas proximidades da vila de Avis com a disputa do SS2.  A organização escolheu uma localização que tinha tanto de inédito como de espetacular: O leito seco da Barragem do Maranhão.  A seca extrema que se vive o Alentejo entre muitos outros efeitos nefastos, trouxe consigo uma incrível redução no nível de água nas barragens, colocando a descoberto vastas áreas que em anos normais teriam metros de agua.  A organização aproveitou um desses locais para realizar a partida de um setor mais invulgar dos últimos anos, proporcionando imagens de uma rara beleza a quem esteve presente.

A partida do SS2, num local que em condições normais estaria submerso sob as águas da Barragem do Maranhão

De Avis a Portalegre, onde terminava o setor, os concorrentes tinham que percorrer um pouco mais de 76 quilómetros, num troço com zonas muito rápidas, na sua maioria com bom piso onde o pior inimigo era mesmo o pó que já aqui referimos.
Foi precisamente neste setor que terminaram as aspirações de Sebastian Buhler em vencer a prova e conquistar o titulo de campeão Português de todo o terreno.  Viria a sofrer um acidente aparatoso, que inicialmente se chegou a pensar ser muito grave, mas que felizmente não foi, não passando de um grande susto.   António Maio terminava o setor em primeiro, e face à desistência do seu adversário, tornava-se automaticamente campeão nacional.  A uma distância muito curta chegava Luís Oliveira, que procurava a terceira vitória consecutiva na Baja Portalegre.   Em terceiro chegava Mário Patrão.


O azarado Sebastian Buhler, aqui no arranque do SS2 alguns quilómetros antes da sua desistência 

Nos Quad, Roberto Borrego dominava a seu belo prazer, chegando a Portalegre com 3m46s de vantagem sobre Filipe Fernandes que era nesta altura o segundo.  
Na categoria SSV assistiu-se neste setor a uma verdadeira revolução na classificação, com tudo quanto era Polaris a desaparecer dos lugares da frente, deixando a corrida entregue aos pilotos com veiculos Can-Am e Yamaha.  Vítor Santos era quem chegava em primeiro a Portalegre, seguido do conhecido Ruben Faria a pouco mais de um minuto de distância, também ele ao volante de um Can-Am.  Em terceiro lugar chegava David Assunção, que conduzia a solo o seu Can-Am.  
"Ensanduichado" entre varios Can-Am chegava Stephane Peterhansel  cuja vastíssima experiencia era suficiente para andar no grupo frente mas não para conseguir ir além do quarto lugar que ocupava nesta altura.
Finalmente os automóveis:  João Ramos fazia mais um setor perfeito, aproveitando o facto de ter a pista limpa para chegar em primeiro a Portalegre. A rapidez e eficiência aliada a uma condução espetacular permitiam a Ramos estar muito satisfeito.  A apenas oito segundos de distância terminava Ricardo Porém, levando a Ford Ranger até ao segundo lugar provisório,  depois de também ele ter feito uma passagem extremamente eficaz por este setor.    Alejandro Martins em Toyota completava o pódio provisória da corrida.


João Ramos, no SS2, numa altura em que era o lider incontestado da corrida

SS3 Moto/Quad/SSV:  Pó e calor foram os piores inimigos dos concorrentes.
As motos, quads e SSV tiveram um programa diferente dos carros no sábado.  As categorias "principais" destas três classes de veículos tinham previsto apenas um grande troço com 350 quilómetros de extensão, que composto por partes do SS3 e SS4 dos automóveis.  Este troço acabaria por ser encurtado para 327 quilómetros, depois de verificadas as condições da pista e de tempo que os concorrentes tinham disponível para chegar á cidade de Portalegre.
Nas motos a história dos primeiros classificados resume-se a um andamento muito rápido dos três primeiros, com uma clara vantagem para António Maio que chegou a Portalegre com mais de 4 minutos de vantagem sobre Luís Oliveira em segundo e mais de 11 sobre Mário Patrão em terceiro.


António Maio a "voar" rumo a mais uma vitória na Baja Portalegre 500

Nos quads a história é também relativamente simples: Roberto Borrego confirmou o motivo pelo qual é sempre o favorito á vitória: os 17m23s para o segundo classificado não deixam margem para dúvidas quanto ao andamento do piloto Alentejano.   Filipe Fernandes foi quem terminou em segundo, e embora muito distante do vencedor, também ele fez uma excelente corrida, sabendo-se defender das armadilhas ocultas pelo pó.  Em terceiro terminou Vítor Caeiro, um piloto que já participou na Baja nos automóveis, e que vai aparecendo sempre com um bom ritmo, comprovado com a subida ao pódio da Baja de Portalegre.


"Beto" Borrego confirmou o favoritismo com mais um triunfo

Nos SSV assistiu-se a uma corrida incrível, com largas dezenas de equipas a demonstrarem um ritmo muito elevado e um grau de evolução muito alto.  Estes concorrentes foram particularmente martirizados pelo pó, pois não só têm quatro rodas que levantam uma grande nuvem à sua passagem, como conduzem viaturas que de um modo geral não têm vidro para-brisas, o que significa que os pilotos e navegadores viram-se frequentemente envolvidos em nuvens de pó muito densas.  Esta situação obrigou a inúmeras paragens ou abrandamentos e foi causa de alguns abandonos.   De qualquer forma, o grau de fiabilidade e resistência destas máquinas é tal, que dos 95 que arrancaram para a prova, 72 conseguiram terminar, com uma percentagem de sucesso bastante superior aos automóveis.
Ruben Faria venceu a prova, depois de muitos quilómetros com um ritmo diabólico, impondo-se aos muitos pilotos de SSV com bastante mais experiencia na categoria do que ele.  Atrás de si, também com um resultado um pouco surpreendente terminou Stephane Peterhansel, que participando acompanhado da sua esposa conseguiu levar o pequeno Yamaha até ao segundo lugar do pódio.  Em terceiro aparece o primeiro dos pilotos conceituados da categoria, Bruno Martins, que tal como Ruben Faria pilotava um Can-Am Maverick X3.


Ruben Faria venceu pela primeira vez na Baja de Portalegre ao volante de um SSV

SS3 Auto: Quase que deu para reviver os gloriosos tempos da Baja 1000.

Quem estivesse a assistir a esta Baja de Portalegre em alguns locais poderia dar por si a pensar que seria um qualquer mês de junho da década de 90 do século passado ou do inicio deste século a assistir a uma das Bajas 1000.  O elenco era composto por muitos e bons pilotos, estrangeiros e portugueses, que conduziam alguns dos melhores carros da modalidade numa prova a contar para os campeonatos Portugueses e para a Taça do Mundo, percorrendo algumas zonas outrora utilizadas pela grande Baja do Clube Aventura, num dia em que o pó e o calor eram os elementos marcantes.
Tal como antigamente a prova começou cedo, e cedo também começou a tortura causada pelas nuvens de pó.  Os primeiros quilómetros do SS3 foram determinantes para o desenrolar da corrida, colocando ponto final nas aspirações de muita gente,  sobretudo em alguns dos que tinham ambições em termos de resultado e que o "Deus pó" sacrificou logo na fase da corrida: Uma das primeiras vitimas do setor seria João Ramos,  forçado a parar devido a avaria mecânica.  Também Alejandro Martins ficava pelo caminho depois de um toque num obstáculo lhe ter partido a transmissão.  Paulo Ferreira, outro em Toyota ficava parado também pelo mesmo motivo, isto só para mencionar alguns,  pois a lista de abandonos é quase interminável. Dos 49 pilotos FIA que arrancaram para o SS3, á passagem por CP1 só já estavam 29 em prova, e até final do setor ainda mais dois iriam ficar pelo caminho.
Com tanto problema atrás de si, e com as contas do campeonato resolvidas devido ao abandono de João Ramos, Ricardo Porém liderava a corrida e podia agora concentrar-se em conseguir a sua quarta vitória consecutiva nesta prova.  O quase desconhecido para o público Português, o Argentino Sebastian Halpern era no final do SS3 o segundo classificado, conduzindo uma Toyota da equipa South Racing.  E em terceiro, o Brasileiro Guilherme Spinelli, ainda em período de adaptação ao Mini da X-Raid. 
Face ao resultado do SS3, estava mais que confirmado que o grande segredo para conseguir chegar ao fim não era andar rápido, mas sim manter uma margem de segurança suficiente para evitar as muitas armadilhas que o pó escondia.

Ricardo Porém, no SS3, numa altura em que já liderava depois da paragem do seu principal rival

SS4 Auto: Ricardo Porém faz história.

Mais curto mas igualmente complicado o SS4 reclamou para si mais algumas vitimas por entre a caravana, deixando concluir a prova apenas 22 concorrentes.  Numa altura em que já estava a gerir a vantagem, Ricardo Porém preocupou-se sobretudo em chegar chegar ao final sem probelmas para conseguir vencer a Baja Portalegre 500 2017 e deixar o seu nome para sempre ligado à história desta corrida como o primeiro piloto que conseguiu esse feito por 4 vezes consecutivas.
No entanto, o rápido no SS4 seria Guilherme Spinelli em Mini, com Ricardo Porém a controlar o andamento do seu adversário.  Em terceiro na especial chegava o Boris Garafulic também em Mini.


Guilherme Spinelli venceu o SS4 e recuperou tempo, mas não conseguiu alcançar Ricardo Porém, terminando assim em segundo lugar.

No final da prova, o piloto da Ford Ranger não escondia a sua satisfação.

“Mais uma fantástica vitória. A prova foi muito dura, com pisos muito abrasivos. Estou muito feliz. Revalidei o título de campeão nacional. Venci pela quarta vez em Portalegre. Nem tenho palavras. É muito emocionante”, afirmou Porém á chegada.

Em segundo lugar, certamente numa posição que não esperava antes de começar a corrida, Guilhereme Spinelli era um piloto particularmente satisfeito à chegada do SS4 e  consequentemente ao final da corrida:

“Foi um prazer enorme competir em Portugal, ver milhares de pessoas assistindo as Especiais, torcendo e vibrando. Cada quilómetro foi uma emoção enorme dentro do carro, além do prazer de pilotar o Mini. Sem dúvida, foi um final de semana muito especial. Saio de Portugal com um segundo lugar com gosto de vitória”

O Chileno Boris Garafulic terminou a corrida em terceiro. Para este excelente resultado terá certamente contribuído em larga medida o facto de o navegador de Boris Garafulic ser Filipe Palmeiro, um conhecido e experiente navegador natural de Portalegre, e logicamente um profundo conhecedor do terreno.
O Espanhol Luis Recuenco terminou a prova em quarto lugar, depois de um pequeno susto inicial no prólogo quando um capotanço lhe custou alguns segundos, mas do qual se safou com facilidade.  
Em quinto terminou o piloto local Nuno Matos, que também começou com alguns problemas mas graças a um andamento bastante seguro conseguiu assegurar esta excelente classificação. No final, Nuno Matos disse que:

“Estamos satisfeitos com este resultado, sobretudo porque não foi uma baja fácil. Esta manhã, ao km 6, na passagem por uma linha de água, o carro simplesmente desligou-se e perdemos cerca de 5/6 minutos até que o motor voltasse a pegar, ainda que apenas com um dos turbos. Foi nessa posição que nos mantivemos durante todo o terceiro sector seletivo, o que veio a condicionar a nossa prestação. Felizmente, na parte da tarde o carro esteve sempre sem problemas e conseguimos subir na classificação, imprimindo um ritmo mais rápido. O quinto lugar final é, por isso, uma recompensa. Agradeço a Pedro Marcão, o meu navegador, que esteve a um excelente nível, e ao público que esteve ao longo da pista a puxar por nós e nos deu alento para darmos o nosso melhor até final”.


Boris Garafulic foi umsurpreendente terceiro classificado com um Mini

T2: Rui Sousa vence a prova e conquista o titulo de campeão nacional entre os T2

A dupla composta por Rui Sousa e Carlos Silva somou em Portalegre mais uma vitória ao seu palmarés depois de uma corrida onde andou quase sempre na frente. Rui Sousa soma assim mais um Titulo ao seu vasto palmarés, reforçando a imagem de um piloto combativo e capaz de vencer em qualquer campeonato. 

“Esta vitória em Portalegre é a superação de todos os objetivos traçados para este projeto. A ISUZU lançou o desafio e nós acreditamos que podíamos vencer provas e lutar pelo titulo; mas vencer logo na primeira prova e depois continuar a esse nível até vencermos a corrida da Taça do Mundo aqui em Portalegre, é muito mais do que esperávamos. A D-Max é um carro fabuloso, e por isso conseguimos conquistar ainda o 3º posto do nacional absoluto o que mostra que é possível estar na frente com um carro T2. Quero agradecer a todos os pilotos que estão com a Prolama, que nos ajudaram a vencer também o campeonato de Equipas, e claro a toda a estrutura da Equipa (técnicos, logísticos e Amigos) na dedicação ao trabalho para conseguirmos ter as melhores condições para vencer. E claro uma palavra de grande agradecimento a todos os Patrocinadores que nos acompanharam ao longo deste ano.”

De entre os vários pilotos inscritos em T2, apenas Cesar Sequeira, também em Isuzu D-Max conseguiu durante algum tempo dar alguma luta ao vencedor, mas viria a ceder tempo já no final da corrida, afastando-se não só de Rui Sousa, como deixando ainda escapar o segundo lugar para o italiano Alessandro Trivini Bellini em Mitsubishi Pajero.

Rui Sousa com a sua D-Max da Cat. T2 rumo á vitória e ao titulo de campeão.

Evento Nacional: Pedro Dias da Silva domina a corrida.

Tal como no evento FIA, todos os pilotos participantes no evento nacional tiveram que enfrentar uma corrida muito dura, desgastante e poeirenta, com a agravante de encontrarem os pisos mais degradados dos que os da prova internacional.
Os efeitos por entre a caravana foram exatamente os mesmos, com um grande número de abandonos, sobretudo no SS3, onde ficaram 10 dos 27 participantes.
Mas nesta classe há uma constante que não se verificou nas outros: O domínio absoluto de Pedro Dias da Silva em Mazda, que desde o prólogo até ao final não deu a mínima hipótese aos seus adversários.  No final da corrida o piloto disse que:

"Sabíamos o que tínhamos para fazer e conseguimos executar à risca a estratégia. Admito que em certas alturas não foi tão divertido, mas tive que controlar muito o andamento para não correr riscos. É sempre bom vencer e ainda para mais neste caso em que ganhámos o Desafio e, ao mesmo tempo, o Evento Nacional. Paralelamente é da mais elementar justiça sublinhar a conquista do título de Navegadores pelo José Janela que é um verdadeiro profissional e sobre quem cai parte considerável da responsabilidade dos resultados que temos assegurado. Hoje foi um bom exemplo!"

O domínio do piloto do Mazda está patente nos 22m42s de vantagem sobre o segundo classificado final que foi Luís Navarro ao volante de um Mitsubishi Pajero.   O terceiro foi José Mendes, cujo resultado com o seu Mitsubishi Pajero da categoria T2 é também bastante bom, superiorizando-se a viaturas em teoria muito mais competitivas.

Pedro Dias da Silva, vencedor do evento nacional

Evento Nacional/Promoção: João Martins foi o mais rápido.

A categoria Promoção destina-se aos pilotos que querem participar na Baja de Portalegre, e que por algum motivo não querem ou podem participar na prova principal, mas ainda assim desejam fazer parte da maior corrida de todo o terreno de  Portugal.  Esta categoria, com regras um pouco mais simples, permite a participação de máquinas mais modestas, mas igualmente espetaculares, e que de alguma forma, foram durante anos a fio parte muito importante da Baja de Portalegre, contribuindo não só para o seu crescimento mas também para aquilo que história e imagem desta corrida. Esta categoria apenas cumpriu três dos quatro setores que compunham a Baja de Portalegre, não disputando o SS4.   
O vencedor foi João Martins em Mitsubishi Pajero, que começou por ser o mais rápido logo no prólogo.  No SS2 viria a ceder algum tempo para Simão Comenda em Nissan Navara, mas logo no inicio do SS3 disputado no dia seguinte viria a recuperar a desvantagem e a passar para a frente, sem no entanto conseguir afastar-se o suficiente para poder baixar os braços, terminando a corrida com apenas 36 segundos de vantagem.
Sérgio Palminha, em Nissan Terrano foi o terceiro, tendo começado a corrida em oitavo da geral, passando pelo 

João Martins, com o seu Pajero, aqui fotografado no SS2

Para concluir...
A Baja de Portalegre 2017 provou ser um duro desafio não só para os pilotos como para a organização, forçada a fazer múltiplos ajustes de ultima hora no percurso devido às condições do terreno e a algumas situações às quais é alheia mas que se repetem-com demasiada frequência e deverão ser tratadas urgentemente sob pena de hipotecar o próprio futuro da prova tal como a conhecemos. Felizmente, a experiencia e capacidade da organização ajudaram a superar os desafios, e a levar a bom porto mais uma grande edição da Baja de Portalegre.
Pelo lado das equipas, uma vez mais uma adesão maciça demonstra bem a capacidade de atração que esta corrida tem.  Todas as categorias estiveram extraordinariamente bem representadas. Nos automóveis talvez faltassem alguns dos grande nomes da Taça do Mundo, mas será que os milhares de espectadores deram pela falta deles? Talvez não. Os pilotos presentes, em qualquer uma das categorias deram um verdadeiro espetáculo, pese embora as dificuldades causadas pelo pó, e que colocaram fora de prova muitas equipas de forma algo prematura.
Os SSV mostraram uma vitalidade absolutamente incrível. A rapidez da esmagadora maioria das equipas não tem qualquer comparação com mais nenhuma outra categoria, cá, ou no estrangeiro.  A evolução da modalidade em Portugal já dita regras do que se deve fazer no estrangeiros, com muita gente com os olhos postos em Portugal.  A vinda de Peterhansel deu um contributo ainda maior para a perceção geral da competitividade dos SSV.
Finalmente uma última palavra para o público, que uma vez mais compareceu em massa, juntando-se em grande número nos locais reconhecidamente mais interessantes, muito embora ao longo de toda a pista existissem pontos com publico,
Agora seguem-se 12 longos e penosos meses até que a Baja de Portalegre regresse lá para Outubro de 2018, e depois de 2017 é com uma enorme expectativa que esperamos para assistir ao "próximo Portalegre".

Texto: Helder Custódio / Todoterreno.pt / Rally-Raid Network
Fotos: Imagens Desportivas / Todoterreno.pt / Rally-Raid Network  e  LP Racing
Fontes; Baja Portalegre 500 / Comunicados de imprensa de algumas equipas