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Revista 4x4 Editorial por Manolo
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Uma anulação polémica.
A anulação da terceira prova do Campeonato de Portugal de Todo-o-terreno – a Baja TT Algarve – a pedido do Clube Automóvel do Algarve, levantou grande polémica. Não pela anulação em si – em época de crise o clube algarvio não conseguiu reunir as condições económicas necessárias e não quis aumentar ainda mais o seu prejuízo – mas porque, face ao original esquema de pontuações pelo qual enveredou a FPAK para esta temporada, são vários os pilotos que se sentem agora lesados.
Na luta mais directa pelo título tanto Filipe Campos como Miguel Barbosa podem aspirar a um máximo de pontos que não se altera com esta anulação. O primeiro poderá somar até 45 pontos (agora tem 35) e o segundo 42 (tendo agora 26). O que passa a ser diferente é que nas três provas que faltavam disputar não havia nenhum confronto directo e agora os dois vão ter que se defrontar em Portalegre; diga-se de passagem que será uma mais-valia para a modalidade e, em particular, para a prova alentejana.
Já para Pedro Grancha e Nuno Pires o prejuízo é maior. Qualquer um deles tinha três corridas para fazer e agora só há duas para disputar. No caso do campeão nacional de 1996, a redução de seis para cinco pontuações decidida pela FPAK não lhe serve de nada porque tinha duas pontuações a zero. Ou seja, antes da anulação ainda podia ser matematicamente campeão nacional e agora isso deixou de ser possível. O mesmo acontece com Nuno Matos, na categoria T2. As probabilidades eram diminutas, é um facto, mas como reza o ditado popular, «enquanto há vida esperança» e agora já não há nada a fazer. Talvez seja desta que a FPAK entenda que o campeonato não pode ter mais do que seis provas, o que parece ser uma medida consensual entre os pilotos. É claro que isso gera o problema de qual a prova a retirar. Que a FPAK tenha a coragem de resolver o problema é o mínimo que se pede.
Ambiente e desporto automóvel
A Prolama Competições, o projecto desportivo liderado há precisamente dez anos por Rui Sousa e Carlos Silva, adoptou a sigla «Green Team» aderindo ao conceito Carbono Zero. O objectivo é contabilizar as emissões inevitáveis associadas à participação desportiva dos três carros Isuzu que disputam o campeonato, sendo que os créditos de carbono adquiridos vão ser utilizados na reflorestação e preservação das espécies autóctones da floresta portuguesa. Ou seja, quantificar as emissões de C02 e compensar a Terra pelo incómodo.
Um projecto louvável, de méritos reconhecidos, que pretende sensibilizar o cidadão para o problema das alterações climáticas dando-lhe a possibilidade de agir de forma concreta no combate a essas alterações climáticas, apoiar projectos tecnológicos e florestais e reduzir a concentração de dióxido de carbono (C02) na atmosfera, isto é, acções em prol dos benefícios ambientais.
Carbono Zero é um conceito liderado pela E. Value, SA e utiliza a metodologia The Greenhouse Gás Protocol (GHG Protocol). É mundialmente o mais reconhecido na preparação de inventários de emissões.
Foi, portanto, com muita satisfação que vimos a Prolama tomar a iniciativa de compensar as emissões reduzindo, de facto, as concentrações de C02 na atmosfera. Sendo as alterações climáticas um problema ambiental à escala global, o efeito no clima de uma tonelada de carbono emitida num local pode ser anulado através de uma tonelada sequestrada ou reduzida noutro local. Este é precisamente o conceito subjacente aos mecanismos de flexibilidade definidos pelo Protocolo de Quioto. O projecto Prolama Green Team envolve a dupla Rui Sousa / Carlos Silva, numa Isuzu D-Max, a dupla Edgar Condenso / Nuno Silva, noutra Isuzu D-Max, e ainda a Isuzu Rodeo da dupla Afonso Baptista / José Manuel Marques.
Curiosamente, nesta apresentação foram referidos alguns aspectos que nos levam a pensar sobre a atitude de alguns pseudo ambientalistas e detractores da modalidade. Segundo os especialistas da «Carbono zero», estas três equipas representam, numa época, cerca de 10 toneladas de emissões, uma insignificância quando comparado com as 10 000 toneladas emitidas, por exemplo, por um acontecimento como o «Rock in Rio». Dá que pensar, não dá?
Revista 4x4 -
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Capa da Edição de número 48

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