Dakar 2026: Etapa 3 - Laia Sanz faz a melhor etapa da sua carreira no Dakar em carros depois de sacrificar um top 10 para ajudar outro piloto
Laia Sanz faz a melhor etapa da sua carreira no Dakar em carros depois de sacrificar um top 10 para ajudar outro piloto
A piloto da EBRO Audax Motorsport, Laia Sanz, e o seu copiloto, Maurizio Gerini, pararam para auxiliar Brian Baragwanath, que tinha sofrido três furos, e entregaram-lhe a sua última roda suplente para que pudesse continuar.
Isto obrigou o duo hispano-italiano a abrandar de forma notória o ritmo nos últimos 80 quilómetros, o que lhes custou perto de seis minutos.
Ainda assim, Sanz e Gerini conseguiram terminar a terceira etapa numa histórica 13.ª posição, o melhor resultado de sempre da piloto numa etapa do Dakar na categoria de quatro rodas, o que os coloca no 18.º lugar da classificação geral.
Laia Sanz: “No Dakar temos de nos ajudar, se for possível, porque um dia pode acontecer ao contrário e podemos ser nós a precisar dessa ajuda.”
Laia Sanz e Maurizio Gerini demonstraram esta terça-feira que a solidariedade em prova é um valor tão importante como um bom resultado. Os elementos da EBRO Audax Motorsport não encontraram melhor data do que o Dia de Reis para pôr em prática essa máxima e prestar auxílio a outro participante em dificuldades. Essa decisão privou-os de alcançar um possível primeiro top 10, embora o 13.º lugar com que cruzaram a meta — a 15:13 do vencedor — seja, ainda assim, uma classificação de mérito e a melhor da carreira de Sanz numa etapa do Rali Dakar em carros. Na geral, sobem à 18.ª posição, a 27:55 do líder.
“Estamos muito contentes com a forma como correu hoje. Apesar de termos tido alguns contratempos, foi um bom dia e conseguimos um grande resultado. O EBRO s800 XRR está cada vez melhor e estou muito agradecida a toda a equipa pelo grande trabalho que está a fazer”, comentou Laia Sanz ao regressar ao bivouac de Al Ula, depois de completar os 736 quilómetros da terceira etapa, 421 deles cronometrados.
A especial trouxe várias dificuldades, principalmente os furos — a nota dominante desde o arranque desta edição do Rali Dakar — e a navegação, dois obstáculos que também a dupla hispano-italiana teve de enfrentar: “Estávamos a andar bem, mas no início tivemos um pequeno erro de navegação, e hoje a navegação estava complicada. Ainda assim, o ‘Gerry’ esteve muito bem. Depois furámos numa zona mais técnica, com muita pedra”.
O momento crítico para Sanz e Gerini surgiu na parte final do troço, quando encontraram Brian Baragwanath parado, com sérias dificuldades para seguir em frente. Sem hesitar, os membros da EBRO Audax Motorsport decidiram sacrificar a sua posição para socorrer um rival.
“O Brian tinha furado três vezes, já não lhe restavam rodas suplentes e nós demos-lhe a que nos faltava. Os últimos 80 quilómetros foram muito stressantes, porque havia muita pedra e não podíamos arriscar a furar. Tivemos de baixar imenso o ritmo e perdemos muito tempo, cerca de seis minutos no total, pelas nossas contas. No Dakar temos de nos ajudar, se for possível, porque um dia pode acontecer ao contrário e podemos ser nós a precisar dessa ajuda”, explica Laia Sanz.
Amanhã, quarta-feira, os participantes terão pela frente a quarta etapa, que é também a primeira parte da etapa maratona. No final do dia, depois de completarem 530 quilómetros (452 de especial), pilotos e copilotos terão de ser eles próprios a fazer a manutenção dos respetivos veículos. Em contrapartida, as assistências mecânicas terão um dia mais tranquilo, à espera de se reencontrarem com as equipas que consigam superar esta dura prova de fogo.
Comunicado: EBRO Audax Motorsport






