Lategan vence, Moraes assume o comando e Ventura continua a mandar na Rally2 em Marrocos
A segunda etapa do Rallye du Maroc mexeu profundamente nas classificações e deixou uma daquelas jornadas em que o vencedor da especial está longe de ser o único protagonista. Henk Lategan venceu nos automóveis, mas foi Lucas Moraes quem saiu de Zagora na liderança da prova. Daniel Sanders respondeu a Ricky Brabec e recuperou o comando nas motos. E Martim Ventura voltou a ganhar na Rally2, desta vez com uma prestação…
A segunda etapa do Rallye du Maroc mexeu profundamente nas classificações e deixou uma daquelas jornadas em que o vencedor da especial está longe de ser o único protagonista.
Henk Lategan venceu nos automóveis, mas foi Lucas Moraes quem saiu de Zagora na liderança da prova. Daniel Sanders respondeu a Ricky Brabec e recuperou o comando nas motos. E Martim Ventura voltou a ganhar na Rally2, desta vez com uma prestação suficientemente forte para se misturar, novamente, com os homens da RallyGP.
Pelo caminho, Nasser Al-Attiyah viu uma vitória praticamente certa desaparecer a apenas nove quilómetros do fim, João Ferreira perdeu a liderança conquistada ontem e vários candidatos descobriram que Marrocos continua a não precisar de muito para virar uma corrida do avesso.
Lategan ganha, mas é Moraes quem sai na frente
Na Ultimate, o dia terminou com nova vitória de um Toyota Hilux.
Henk Lategan foi o mais rápido, terminando 41 segundos à frente de Eryk Goczał e 1m12s diante de Carlos Sainz, ambos nos Ford Raptor.
Foi a terceira vitória consecutiva de um Hilux em especiais do W2RC, juntando o triunfo de Lategan na derradeira etapa do Desafío Ruta 40 à vitória de João Ferreira ontem e ao novo sucesso do sul-africano em Marrocos.
Mas o homem que mais ganhou com o dia talvez tenha sido Lucas Moraes.
O brasileiro terminou apenas em quarto, a 4m46s de Lategan, mas dois dias muito consistentes colocaram o Dacia Sandrider no topo da classificação geral.
Moraes lidera agora com apenas 28 segundos sobre Lategan, enquanto Carlos Sainz aparece em terceiro, a 2m43s.
É a primeira vez que Moraes lidera uma prova aos comandos do Dacia Sandrider e também a primeira vez que ocupa o primeiro lugar de uma classificação geral do W2RC desde a vitória no Rally-Raid Portugal de 2025.
E amanhã há ainda um pequeno pormenor que poderá contar: Lategan terá de abrir a etapa, enquanto Moraes partirá mais atrás e terá algumas pistas diante de si.
Nasser perde tudo a nove quilómetros da chegada
Se há alguém que dificilmente esquecerá esta etapa, é Nasser Al-Attiyah.
O qatari parecia ter feito praticamente tudo bem.
Assumiu o comando da especial ao km 221 e, na última referência antes da chegada, ao km 276, já tinha 1m32s de vantagem sobre Lategan. A vitória estava muito perto e, naquele momento, Al-Attiyah era também líder virtual do Rallye du Maroc.
Faltavam nove quilómetros.
Foi aí que a mecânica decidiu entrar na história.
O Dacia parou, Al-Attiyah perdeu dezenas de minutos e acabou por ser rebocado até à chegada pelo companheiro Sébastien Loeb.
Terminou a mais de 45 minutos do vencedor e caiu para o 20.º lugar da geral.
Para alguém que chegou a Marrocos ainda com possibilidades muito claras de conquistar a prova pela oitava vez e, sobretudo, envolvido directamente na luta pelo título mundial, o golpe foi enorme.
O rally-raid tem esta desagradável mania de esperar até estarmos quase convencidos de que está tudo resolvido.
João Ferreira paga a factura de abrir a estrada
O dia também foi bastante diferente do anterior para João Ferreira e Filipe Palmeiro.
Depois da vitória na primeira etapa, a dupla portuguesa teve a ingrata tarefa de abrir a estrada.
Lucas Moraes acabou por alcançar Ferreira e passou para a frente, deixando o brasileiro numa situação pouco confortável: abrir grande parte da especial. Ainda assim, Moraes conseguiu transformar essa posição num resultado suficientemente sólido para chegar ao comando da prova.
Ferreira, pelo contrário, perdeu cerca de 11 minutos e deixou escapar a liderança conquistada na véspera.
Não foi o dia que certamente desejava, mas depois da vitória de ontem a corrida portuguesa está longe de estar encerrada.
Sanders responde a Brabec e recupera a liderança
Nas motos, Daniel Sanders tratou rapidamente de responder à vitória de Ricky Brabec na primeira etapa.
O australiano da Red Bull KTM Factory Racing alcançou Brabec perto do início da especial e os dois acabaram por navegar juntos durante boa parte do percurso.
Sanders não se limitou, contudo, a beneficiar da posição na estrada.
Foi simplesmente mais rápido.
Terminou com 3m04s de vantagem sobre Brabec e 3m34s sobre o companheiro Edgar Canet, conseguindo uma margem suficientemente grande para vencer mesmo sem contabilizar as bonificações atribuídas por abrir a pista.
Foi a sua 35.ª vitória em especiais da RallyGP e permitiu-lhe recuperar a liderança da prova.
Sanders dispõe agora de 2m54s sobre Brabec e 4m07s sobre Canet. Atrás dos três primeiros, as diferenças já começam a ser bem mais significativas.
Ontem Brabec interrompeu uma série de 14 especiais consecutivas da KTM. Hoje Sanders tratou de lembrar que uma derrota não significa necessariamente uma mudança de poder.
Martim Ventura já não está apenas a correr contra a Rally2
Martim Ventura voltou a vencer.
E talvez esse já nem seja o dado mais impressionante.
O português bateu novamente Michael Docherty, desta vez por 2m38s, e conquistou a sua décima vitória em especiais do W2RC.
Preston Campbell, terceiro da Rally2, terminou a mais de dez minutos.
Ventura aumentou assim a liderança da categoria para 3m36s sobre Docherty e 22m18s sobre Campbell.
Mas a comparação mais interessante está fora da sua própria classe.
Martim terminou a especial em quarto lugar absoluto entre todas as motos, apenas 18 segundos fora do pódio da classificação FIM.
E é também quarto da geral absoluta das motos, a somente 6m10s de Daniel Sanders.
Por outras palavras: Ventura está oficialmente a competir na Rally2, mas continua a passar boa parte do Rallye du Maroc a discutir tempos com as motos RallyGP.
A aposta da Honda na categoria também dificilmente poderia estar a correr melhor. Bruno Crivilin venceu o prólogo e Martim Ventura ganhou as duas etapas seguintes.
Até agora, na Rally2, a Honda ganhou tudo.
Alexandre Pinto perde a etapa, mas mantém uma vantagem confortável
Na Challenger, desta vez Alexandre Pinto encontrou alguém capaz de o bater.
Paul Spierings venceu a especial depois de uma luta apertada entre os dois Taurus, mas o português continua numa posição muito confortável na classificação geral.
Pinto conserva aproximadamente 15 minutos de vantagem sobre o neerlandês e continua a comandar a categoria depois do domínio exercido na primeira etapa.
Peterhansel dá nova vitória ao Defender
Na Stock, o Defender somou a segunda vitória em dois dias, mas com um piloto diferente.
Depois de Sara Price ter vencido ontem, desta vez foi Stéphane Peterhansel quem terminou na frente, superando a companheira por 1m58s.
Price, no entanto, continua tranquilamente no comando da classificação geral, com uma vantagem próxima dos 14 minutos sobre “Monsieur Dakar”.
Ferioli vence, Walkner continua líder
Nos SSV, a luta foi muito mais apertada.
Jeremías González Ferioli bateu Matthias Walkner por apenas 40 segundos, depois de os dois terem passado praticamente toda a etapa separados por diferenças mínimas.
A vitória pertenceu ao argentino, mas Walkner conservou o comando da geral.
A diferença entre ambos é agora de 6m33s.
Martín e Kanopkinas continuam sem saber perder
Há duas categorias onde, até agora, a história se repete todos os dias.
Albert Martín voltou a vencer na Rally3 com a Triumph, enquanto Antanas Kanopkinas repetiu o resultado nos Quads com a CFMoto.
Prólogo, primeira etapa, segunda etapa.
Três partidas, três vitórias para cada um.
Ainda falta metade da corrida, mas ambos continuam com um registo perfeito.
Amanhã começa outra corrida
Depois de duas etapas, algumas hierarquias começam a ganhar forma. Outras desapareceram em poucos quilómetros.
Lucas Moraes lidera os automóveis por apenas 28 segundos. Daniel Sanders recuperou o comando das motos. Martim Ventura aumentou a vantagem na Rally2. Alexandre Pinto continua confortavelmente na frente da Challenger.
Nasser Al-Attiyah estava a nove quilómetros de uma vitória e de assumir a liderança. Agora está quase 45 minutos atrás.
É talvez a melhor maneira de resumir o Rallye du Maroc até aqui.
Há quem esteja na frente.
Mas ainda ninguém está a salvo.

